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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Saudade


Depois do amor, a saudade é o sentimento que mais me consome. Saudade .... de um amor antigo, de um grande amigo, de ser quem deveria ter sido e não fui. E de quem já fui e não posso ser mais.
Minha saudade é tanta que tem que terminar com “s”. Saudades. Um exagero bem apertado.
Saudade é a desconstrução instantânea de quem somos para espiar o que fomos, o que sentimos... O que vivemos.
Saudade é uma canção tocada no piano, o piano chora ao lamentar essa nota. Saudade vira canção ao fechar os olhos. O vento aprende a cantar rapidinho.
Saudade sempre me tira de onde estou para revisitar o que não é mais. O peito rasga uma vontade imensurável de apagar o mar. O céu se abre como mágica para iluminar o rosto.
Paro. Sento os cotovelos para me permitir voltar onde me confortei. Já tive um coração, quase aprendi a usá-lo e se não fosse pela falta de jeito com as palavras, teria ficado com ele. Aprendi a pular amarelinha, a correr na chuva, a andar descalça, a beliscar uma fatia de amor. Todas essas coisas saltam da gaveta ao limpar as folhas do quintal.
Mas lembrar de quem amamos em alguma época de nossas vidas é uma alegria que dói, é uma raiva que acalma, é uma lágrima num sorriso no canto da boca, uma missão quase que cumprida, mas abortada pela incompetência de não acreditarmos no tempo, no Amor. É quando a mão tenta segurar a boca para não inundar os cílios.
Lembro quando tínhamos o mundo em nossas mãos, quando não precisávamos de mais nada para sorrir. Nossos risos eram os lençóis da nossa alma: encobriam as nossas tristezas, nossas histórias mais profundas, nossos medos mais perigosos.
Sou uma réplica fiel do que é assimilar alguém.
Música e cheiro são os instrumentos mais letais da saudade, juntos desenterram as lembranças, desempoeiram o livro, trazem os óculos e a cadeira para a releitura, colocam o coração em cima de mesa e esperam pela prece. Essa prece nunca virá, assim, definitivo: nunca! Tornamo-nos crianças indefesas, eles nos pegam pela mão e nos fazem berrar de desespero no meio do supermercado ao ver uma lata de leite condensado.
O problema é que nunca vamos embora completamente. Relembrar é, ainda, uma forma de ter o que se perdeu aqui ao lado .
Saudade é o meu sentimento mais fodido, mais pesado, mais humilhado, mais sufocado, mais eterno, mais nobre, mais machucado, mais impossível.
Saudade é o meu amor, arquivado!

1 comentário:

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