
O amor não é passível de teorias. O amor é brega... É cafona até o último fio de cabelo. Além de "cego", como reza o adágio, é também incoerente, louco, contraditório. É isso que faz dele algo gostoso. Se não, seria tudo muito racional. Seria o parnasianismo de Caetano, talvez.Amor é rima pobre. Paixão é acorde simples. Tesão não tem frescura. Uma mulher pode até se apaixonar e passar a vida sonhando com um Chico Buarque, mas gozar - gozar de verdade, gritando e pulando e passando o resto da semana feliz - aí é só com um Wando rsrsrsrs.
O amor, meus caros, é como uma música brega. Uma música sertaneja, pra ser mais exato. Daquelas que fazem parte de trilha sonora de novela. Você não gosta do gênero musical, não assiste novela, mas sabe cantar a música toda, do início ao fim, e ainda imitando os agudos do Zezé di Camargo. Como isso? Não se sabe. Você pode correr o mundo atrás de alguém que seja igual a você, ou totalmente diferente, de acordo com suas crenças. Não vai adiantar nada. Quando menos se espera vai ouvir um estalo na cabeça, a ficha vai cair, e você vai se ver enamorado (a) por quem menos esperava, e nem vai saber porquê.
Já a paixão é diferente. É como uma música da Ivete Sangalo. Um sucesso momentâneo, que todo mundo canta junto, tira o pé do chão, faz aquelas coreografias toscas sem pensar direito. Depois de um ano, troca a modinha, e quando você olha pra trás, nem imagina que um dia já cantou aquilo numa micareta, com direito a dedo na boca e indo até o chão. Como numa festa – você bate o olho num corpo, fica por uma noite, duas. Conhece a criatura melhor, e aí descobre que não era bem aquilo que tu estava pensando. Aí tenta pular fora, partir pra outra, mudar de cidade, matar uma vó por telefone, essas desculpas que vocês já conhecem.
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