
Ontem, encontrei-me com um amigo meu e fiquei pensando em como ele estava mudado. Do menino sonhador, não restava nada. Ao contrário, ele havia se tornado um homem frio, cínico e que não confiava em ninguém.
Conversamos sobre os amigos em comum que não víamos mais, dos sonhos que não conseguimos alcançar, dos objetivos que mudamos, de como nossa vida estava, e eu percebi, que a vida não havia sido muito favorável a ele.
Ela havia tirado e exigido muito dele e não devolvido nada. Meu amigo havia sido obrigado a lutar cedo por uma simples coisa; Havia aprendido que algumas pessoas conseguiam esconder por trás de sorrisos, verdadeiras maldades; Foi obrigado a aprender também que é mais fácil imaginar do que alcançar, que é mais fácil acreditar em palavras do que em gestos. E que as oportunidades só apareciam uma vez, e mesmo assim, muito bem escondidas.
Fiquei triste ao pensar no quanto tudo poderia ter sido diferente, se ele houvesse escolhido outro caminho, se ele houvesse lutado com mais força (mais do que ele lutou?), se ele continuasse acreditando no amor e na amizade...
Mas não, aquele doce menino morreu.
E em seu lugar, um homem mais experiente e ferido até a alma, apareceu.
Eu continuo querendo o melhor para ele, mas não consigo mais amá-lo como antigamente, pois em nada se parece com meu velho e querido amigo. Além do mais, ele não acredita em amizade, não acredita na bondade e não confia em ninguém, ao contrário de mim.
No fim, resta apenas uma pergunta: por que a vida não nos dá uma oportunidade para recomeçar?
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